Projetos de Graduação 2001

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Cariocar

Bruno Sérgio Coelho de Oliveira
, autor
Freddy Van Camp e João Bezerra, orientadores

Proposta

Um dos principais dados obtidos na pesquisa sobre o transporte individual no Rio de Janeiro foi o fato do grande uso do automóvel, que tem uma capacidade média de cinco ocupantes, como forma de deslocamento individual. A taxa de ocupação média de um automóvel na cidade é de 1,35 ocupantes por veículo. Foi observado que no horário de pico de um dia útil, cerca de 72% dos carros possuem apenas um ocupante e 24 %, dois ocupantes. Portanto um carro com a capacidade de 2 ocupantes estaria atendendo a necessidade instantânea de 96% dos usuários. Apesar do automóvel parecer uma solução para grande parte dos indivíduos, ele traz diversos e fortes "efeitos colaterais" para a coletividade. Ruído, vibração, poluíção do ar, sujeira, intrusão visual, luminosidade, danos ao patrimônio, congestionamento, ocupação de espaço e acidentes são alguns deles. Existem outros meios de transporte individuais que causam menos impacto a cidade. Um deles é a bicicleta, que praticamente não possui nenhuma das desvantagens apresentadas pelo automóvel. Scooters e motocicletas também estão entre eles. No entanto existem diversas características nesses veículos que fazem com que os mesmos não sejam os preferidos pelos cidadãos como meio de deslocamento na cidade. Como motivos de impedimento do uso da bicicleta no percurso entre casa e trabalho, os cariocas apontam diversos motivos, entre eles a falta de segurança no trânsito, falta de segurança pessoal, distância e tempo, falta de proteção contra intempéries, ausência de bicletários, ausência de local para troca de roupa, motivos de saúde e topografia desfavorável em alguns lugares. A partir destes e outros dados sobre as características do transporte individual do Rio de Janeiro, foi definido que o produto a ser desenvolvido seria um veículo urbano particular , com a opção de um passageiro extra. Este produto deveria ser o menos impactante possível para a cidade. Deveria aproveitar as vantagens dos veículos particulares (carros, motos, bicicletas, ...), atendendendo o que os usuários desejam, e deveria procurar eliminar o máximo possível das características tidas como indesejáveis para a cidade. Todas as decisões do projeto foram tomadas em função destes objetivos. O veículo é elétrico atendendo ao requisito de ser menos poluente e ruidoso para a cidade.


Interior: Compactação com conforto


O veículo é pensado como uma opção para uso dentro do perímetro urbano. Entre outras vantagens pretende-se que ele seja menos dispendioso, em termos de preço, impostos e taxas de estacionamento para o usuário que só precisa se deslocar para o trabalho, trazer as compras do supermercado, ou para levar o filho ao colégio. Além disso, este veículo poderia ser parte de uma rede de Car Sharing (uso comunitário de carros) um sistema que vem sendo utilizado por algumas empresas e cidades do mundo onde o indivíduo que se associa pode utilizar qualquer um dos carros que a empresa disponibiliza em diversas áreas da cidade. Os principaiscomponetes internos considerados para o estudo de ocupação interna foram: nove baterias (oito para os motores e uma para outras funções), quatro motores que ficam juntos a cada uma das rodas, o espaço para os ocupantes (incluindo os usuários extremos), os bancos, o painel, o volante e o step. Na solução de interior buscou-se baixar o centro de gravidade do veículo o quanto fosse possível. Decisões como o uso de uma acomodação veicular típica de carro esporte para o motorista e a distribuição das baterias, se deram devido à esta busca por estabilidade. A solução dos ocupantes posicionados em linha, ao invés de lado a lado foi feita para permitir o transporte de crianças com maior segurança e deixar a via mais livre, pois na maioria das vezes o veículo estará sendo utilizado pelo próprio motorista. Uma outra vantagem desta configuração é que como a área frontal fica menor, a aerodinâmica do veículo fica melhor, auxiliando na economia de energia das baterias. Atrás do banco do passageiro existe um espaço para pequenas bagagens. Os bancos movimentam-se para frente e para trás sobre um trilho, para que o interior se torne mais adequado para diferentes tamanhos de motorista, passageiro e bagagens. Ocorrendo a necessidade de se levar uma bagagem maior, o banco do passageiro pode ser inclinado de forma a configurar, juntamente com as caixas das baterias, uma superfície plana. Neste caso, todo o espaço existente atrás do motorista seria utilizado como bagageiro.


Exterior: Sob medida e versátil


A forma externa condiz com as características do que se considera uma boa aerodinâmica e sua vista frontal transmite estabilidade física e visual, apesar do veículo possuir uma relação entre largura e altura menor que a dos carros convencionais. O para-brisa e janelas são bem amplos, o que permite uma boa visibililidade do motorista em relação ao seu entorno. Uma solução utilizada para reduzir ainda mais a largura do veículo, foi a substituição dos retrovisores por duas câmeras colocadas nas extremidades da traseira do veículo, juntamente com as lanternas. A solução para a abertura da porta é pensada para economizar espaço de estacionamento. O avanço de porta sobre a área do teto tem a intenção de facilitar a entrada do motorista e do passageiro, fazendo com que os mesmos não precisem se abaixar muito no momento em que estão saindo ou entrando no carro. Isto é bom principalmente para o passageiro, que precisa levantar a perna um pouco mais para passar sobre as baterias. O step fica preso internamente junto a porta do porta-malas, facilitando o acesso a esse equipamento. Para as linhas e acabamento do exterior, procurou-se uma solução formal que pudesse agradar a maioria dos usuários, permitindo inclusive o uso de cores para as diferentes peças de forma a possibilitar desde soluções mais tradicionais até soluções com características mais esportivas.


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