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Proposta
Um dos principais dados obtidos na pesquisa sobre o transporte individual
no Rio de Janeiro foi o fato do grande uso do automóvel, que tem uma
capacidade média de cinco ocupantes, como forma de deslocamento individual.
A taxa de ocupação média de um automóvel na cidade é de 1,35 ocupantes
por veículo. Foi observado que no horário de pico de um dia útil, cerca
de 72% dos carros possuem apenas um ocupante e 24 %, dois ocupantes.
Portanto um carro com a capacidade de 2 ocupantes estaria atendendo
a necessidade instantânea de 96% dos usuários. Apesar do automóvel parecer
uma solução para grande parte dos indivíduos, ele traz diversos e fortes
"efeitos colaterais" para a coletividade. Ruído, vibração, poluíção
do ar, sujeira, intrusão visual, luminosidade, danos ao patrimônio,
congestionamento, ocupação de espaço e acidentes são alguns deles. Existem
outros meios de transporte individuais que causam menos impacto a cidade.
Um deles é a bicicleta, que praticamente não possui nenhuma das desvantagens
apresentadas pelo automóvel. Scooters e motocicletas também estão entre
eles. No entanto existem diversas características nesses veículos que
fazem com que os mesmos não sejam os preferidos pelos cidadãos como
meio de deslocamento na cidade. Como motivos de impedimento do uso da
bicicleta no percurso entre casa e trabalho, os cariocas apontam diversos
motivos, entre eles a falta de segurança no trânsito, falta de segurança
pessoal, distância e tempo, falta de proteção contra intempéries, ausência
de bicletários, ausência de local para troca de roupa, motivos de saúde
e topografia desfavorável em alguns lugares. A partir destes e outros
dados sobre as características do transporte individual do Rio de Janeiro,
foi definido que o produto a ser desenvolvido seria um veículo urbano
particular , com a opção de um passageiro extra. Este produto deveria
ser o menos impactante possível para a cidade. Deveria aproveitar as
vantagens dos veículos particulares (carros, motos, bicicletas, ...),
atendendendo o que os usuários desejam, e deveria procurar eliminar
o máximo possível das características tidas como indesejáveis para a
cidade. Todas as decisões do projeto foram tomadas em função destes
objetivos. O veículo é elétrico atendendo ao requisito de ser menos
poluente e ruidoso para a cidade.
Interior: Compactação com conforto
O veículo é pensado como uma opção para uso dentro do perímetro urbano.
Entre outras vantagens pretende-se que ele seja menos dispendioso, em
termos de preço, impostos e taxas de estacionamento para o usuário que
só precisa se deslocar para o trabalho, trazer as compras do supermercado,
ou para levar o filho ao colégio. Além disso, este veículo poderia ser
parte de uma rede de Car Sharing (uso comunitário de carros) um sistema
que vem sendo utilizado por algumas empresas e cidades do mundo onde
o indivíduo que se associa pode utilizar qualquer um dos carros que
a empresa disponibiliza em diversas áreas da cidade. Os principaiscomponetes
internos considerados para o estudo de ocupação interna foram: nove
baterias (oito para os motores e uma para outras funções), quatro motores
que ficam juntos a cada uma das rodas, o espaço para os ocupantes (incluindo
os usuários extremos), os bancos, o painel, o volante e o step. Na solução
de interior buscou-se baixar o centro de gravidade do veículo o quanto
fosse possível. Decisões como o uso de uma acomodação veicular típica
de carro esporte para o motorista e a distribuição das baterias, se
deram devido à esta busca por estabilidade. A solução dos ocupantes
posicionados em linha, ao invés de lado a lado foi feita para permitir
o transporte de crianças com maior segurança e deixar a via mais livre,
pois na maioria das vezes o veículo estará sendo utilizado pelo próprio
motorista. Uma outra vantagem desta configuração é que como a área frontal
fica menor, a aerodinâmica do veículo fica melhor, auxiliando na economia
de energia das baterias. Atrás do banco do passageiro existe um espaço
para pequenas bagagens. Os bancos movimentam-se para frente e para trás
sobre um trilho, para que o interior se torne mais adequado para diferentes
tamanhos de motorista, passageiro e bagagens. Ocorrendo a necessidade
de se levar uma bagagem maior, o banco do passageiro pode ser inclinado
de forma a configurar, juntamente com as caixas das baterias, uma superfície
plana. Neste caso, todo o espaço existente atrás do motorista seria
utilizado como bagageiro.
Exterior: Sob medida e versátil
A forma externa condiz com as características do que se considera uma
boa aerodinâmica e sua vista frontal transmite estabilidade física e
visual, apesar do veículo possuir uma relação entre largura e altura
menor que a dos carros convencionais. O para-brisa e janelas são bem
amplos, o que permite uma boa visibililidade do motorista em relação
ao seu entorno. Uma solução utilizada para reduzir ainda mais a largura
do veículo, foi a substituição dos retrovisores por duas câmeras colocadas
nas extremidades da traseira do veículo, juntamente com as lanternas.
A solução para a abertura da porta é pensada para economizar espaço
de estacionamento. O avanço de porta sobre a área do teto tem a intenção
de facilitar a entrada do motorista e do passageiro, fazendo com que
os mesmos não precisem se abaixar muito no momento em que estão saindo
ou entrando no carro. Isto é bom principalmente para o passageiro, que
precisa levantar a perna um pouco mais para passar sobre as baterias.
O step fica preso internamente junto a porta do porta-malas, facilitando
o acesso a esse equipamento. Para as linhas e acabamento do exterior,
procurou-se uma solução formal que pudesse agradar a maioria dos usuários,
permitindo inclusive o uso de cores para as diferentes peças de forma
a possibilitar desde soluções mais tradicionais até soluções com características
mais esportivas.
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