Rua em transe

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Site: http://www.ruaemtranse.org/

Rua em Transe é uma plataforma criada para o compartilhamento de histórias sobre como as ruas foram e continuam sendo transformadas pela pandemia de coronavírus. Você pode caminhar à vontade pelas ruas contadas nessas histórias e também compartilhar uma história sua. Algumas dessas histórias estão associadas a redes de solidariedade e aqui você também descobre como pode apoiá-las.

Cada história revela um universo, uma rua e as vidas que nela transitam. São pessoas diferentes, que expressam em suas falas a diversidade de tipos, cores, gestos, visões de mundo, mas que têm em comum encontrarem na rua um espaço de liberdade, de oportunidade, de sustento, de luta, de resistência e de construção da própria cidadania. São praticantes de rua.

Rua em transe deseja abrigar múltiplas histórias de praticantes de rua e colocá-las lado a lado, a fim de ampliar sensibilidades para outras realidades e pontos de vista, bem como a capacidade de diálogo e empatia, fundamentais para um ambiente democrático saudável e uma política baseada na tolerância e no respeito às diferenças.

Se podemos dizer que a rua está em transe, ela também continua carregando a potência do encontro, seja nas suas dinâmicas mais cotidianas, seja nos imaginários. Esperamos que este espaço reflita essa potência: da rua como lugar em que nos juntamos para lutar pela construção de cidades melhores e mais justas; da rua onde nos encontramos para celebrar e sonhar juntos.

Em transe

Com a pandemia de Covid-19 o mundo entrou numa espécie de transe. Enquanto hospitais e profissionais de saúde cuidam dos acometidos pela doença, a vida nas cidades se adapta a novos padrões e nos metamorfoseamos em nossas mobilidades e imobilidades. No cotidiano vivemos transformações nos espaços que habitamos, na relação dos nossos corpos com a casa, o comércio, o trabalho e a rua. “Se você pode, evite a rua!” As mudanças nas ruas nos fazem refletir sobre o que ela significa em nossas vidas: é das ruas que muitos tiram seu sustento e é nas ruas que realizamos as mais variadas atividades. Em grande parte, é lá que encontramos as pessoas de nossas vidas: passantes desconhecidos, comerciantes do bairro, amores, amizades e desafetos, oportunidades ou riscos, eles fazem parte de nossas redes de sustentação no mundo.

No Brasil, contudo, enormes diferenças nessas mudanças explicitam não apenas a diversidade de modos de vida que as cidades abrigam, mas também uma cruel desigualdade social, habitacional, econômica e racial. O vírus chegou de avião com os ricos, mas os pobres nas favelas e periferias são aqueles que mais sofrem e mais morrem em moradias com condições sanitárias precárias e sem uma política efetiva de renda, saúde, planejamento territorial e educação combinadas entre todas as esferas de governo que possibilitasse a redução dos longos deslocamentos urbanos pelo transporte público caro e saturado e, com isso, o controle da contaminação.

Nesta plataforma os praticantes de rua contam, para além das estatísticas, como suas ruas foram alteradas e como seguiram encontrando formas de seguir caminhando, guardando a memória das ruas pré-pandemia, mas se virando e inventando novas ruas a partir da pandemia.

O cronista João do Rio dizia, no início do século passado, que o amor à rua nos une, nivela e agremia. Dizia também que a rua é a expressão maior da diversidade urbana. Nos perguntamos aqui como esse amor e essa diversidade se expressam hoje e esperamos que ao perambular por essas histórias possamos reconhecer e valorizar aqueles e aquelas que fazem da rua no Brasil um verdadeiro patrimônio cultural vivo, expressão das nossas desigualdades e também da nossa criatividade. Afirmamos, com eles, a vontade de viver e imaginar, juntos, como podem ser nossas cidades.

Nossa história

Rua em transe é uma iniciativa de estudantes, professores e pesquisadores dos cursos de Arquitetura e Urbanismo, Design e também do Laboratório de Design e Antropologia da Escola Superior de Desenho Industrial da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (ESDI/UERJ). Integramos a equipe do projeto de extensão “Práticas para cidades possíveis”. O projeto, iniciado em 2019, consiste em uma ocupação permanente no Centro Carioca de Design, espaço cultural municipal localizado na Praça Tiradentes, região central do Rio de Janeiro, por atividades diversificadas, como oficinas e elaboração de visualidades e peças gráficas.

Ainda em 2019, buscando realizar uma inserção da UERJ no ambiente discursivo e cultural associado ao título de “Capital Mundial da Arquitetura 2020” conferido ao Rio de Janeiro pela UNESCO, o projeto realizou uma cartografia de “práticas de cidade” a partir dos territórios e trajetórias dos estudantes envolvidos com o projeto. Começou-se a configurar um mapa de "arquiteturas cidadãs", feitas por cidadãos, não necessariamente arquitetos, mas que transformam a experiência urbana no espaço público — sobretudo as ruas — e que, acreditamos, poderiam disputar as atenções e o reconhecimento de legitimidade para suas contribuições à vida coletiva na cidade. O objetivo era levar ao espaço público uma visão crítica, provocativa e propositiva sobre que “arquiteturas” seriam estas a serem reconhecidas e apresentadas a um público mundial; quem seriam os sujeitos envolvidos em sua produção e quais os efeitos do evento e dessas arquiteturas sobre a vida cotidiana dos cariocas, sobretudo do precariado urbano que todos os dias mantém a cidade de pé.

Em 2020 vimos nossos planejamentos e atividades radicalmente alterados pela chegada da pandemia de Covid-19. O projeto também entrou em transe. Por um tempo ficamos em suspensão, mas depois nos vimos convocados a pensar como continuar as reflexões sobre a cidade, as arquiteturas cidadãs e as ruas a partir das novas condições que a pandemia imprimiu nas cidades e na própria possibilidade da extensão universitária. Aos poucos foi se desenhando a plataforma Rua em Transe, um projeto que mantém as questões iniciais mas as reflete na condição contemporânea e seguirá aberto a novos trânsitos.

Equipe Coordenação:

Barbara Szaniecki

Gabriel Schvarsberg

Paula de Oliveira Camargo

Organização de conteúdo, articulação e revisão:

Carolina Ferraz

Laís Lima

Glaucineide do Nascimento Coelho 

Identidade Visual e comunicação:

Luiza Braga Passos

Maria Luisa Bonfim Ventura

Miguel Moreira Guimarães

Desenvolvimento do site:

Laís de Azevedo Lima

Lucas Carmo

Miguel Moreira Guimarães