Sinal 582

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ESDI tira nota máxima no Enade 2018

Parabéns aos alunos que fizeram a prova do ENADE em 2018 com comprometimento e responsabilidade!

Parabéns aos professores que mantiveram a Esdi em seu lugar de destaque!

5 é a nota máxima! Viva a Esdi!

Para entender melhor, o Enade significa Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes e avalia o rendimento dos concluintes dos cursos de graduação, é aplicado pelo INEP - Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais desde 2004.

ENTREMEIOS: AUTONOMIA E DESIGN

O Seminário Entremeios de 2019 tem como inspiração o pensamento de Arturo Escobar, antropólogo colombiano, autor do livro "Autonomía y diseño: La realización de lo comunal". O autor nos convida para pensar além da hegemonia do pensamento universalista moderno, em direção a universos plurais, defendendo um design autônomo que se afasta de fins comerciais e lucrativos em busca de abordagens mais colaborativas.

O Entremeios é realizado desde 2014 pelo Laboratório de Design e Antropologia da ESDI - LaDA/PPDESDI. Este ano, será realizado entre os dias 16 e 18 de outubro, no Centro Carioca de Design - Praça Tiradentes, 48 – Centro, Rio de Janeiro – RJ.

DINÂMICAS

O Entremeios Autonomia e Design vai ser discutido em 5 rodas, com os subtemas Política, Meio ambiente, Arquitetura e Cidade, Corpo, e Educação. O formato de rodas, adotado desde a edição de 2018, permite abrir espaços para trocas, ações e movimentos divergentes ou convergentes. “Puxadores” abrem a conversa entre convidados, inscritos e plateia, mediada por textos, músicas, objetos e o que mais rolar na roda.

Roda 1: POLÍTICA

Dia 16/10, das 14 às 17hrs

Qual design queremos fazer? Que mundo queremos construir? Como o design pode ser político, e como pensar a política através do design? Nenhum profissional atua fora do contexto político em que se insere. Não existe “fora”. Assim, todo envolvimento profissional pode ser entendido como um ato político, como um modo de estar no mundo.

Nesse sentido buscamos, nessa roda, pensar o papel profissional de designers como agentes políticos que influenciam e participam das transformações do mundo. Por não haver respostas únicas para as questões propostas, queremos estimular a reflexão sobre o “ser político” e o “ser profissional” daqueles que projetam o mundo, entendendo que esses modos de ser estão ligados indissociavelmente.

Nossa sociedade disciplinar – nos termos de Foucault – é uma sociedade projetada. Objetos e coisas incorporam lógicas de poder. Essas relações – em que coisas encerram significados que demonstram e afirmam estruturas sociais de poder – extrapolam a ação humana. A ação humana se associa, assim, a objetos e elementos naturais ou artificiais e, em conjunto, produzem novos significados.

Questões de classe, gênero, raça, território e colonialidade estão, notoriamente, ausentes na maioria das teorias e práticas de design, assim como a questão da interdependência que o design tem ao capitalismo. Se, num contexto de industrialização e em cenários de pós-guerra, a ação dos profissionais de design se mostrava essencial para restabelecer rapidamente uma certa condição e dignidade humanas através da produção eficaz e em escala de bens de consumo, o que dizer da atuação desses mesmos profissionais no mundo atual, em que os processos de desindustrialização se aceleram e transformam cidades, países e modos de vida?

A Terra vem dando sinais claros de não mais suportar a voracidade de consumo de bilhões de humanos – situação a que designers vem, de maneira geral, servindo acriticamente. A atividade desses profissionais permanece baseada em processos produtivos e econômicos que deixaram o “planeta danificado”, rumo a um horizonte de colapso.

O antropólogo colombiano Arturo Escobar afirma, em seu livro Autonomía y Diseño: La realización de lo comunal, que o design está intrinsecamente ligado ao capitalismo e a uma concepção liberal de política: designers estão, via de regra, envolvidos com a reprodução e manutenção do status quo. Essa visão enuncia uma postura crítica em relação à atuação desses profissionais. Podemos entender que, ao projetar e se empenhar na produção de bens de consumo para um mundo em colapso segundo os modelos vigentes nas estruturas capitalistas, o profissional endossa e colabora para a manutenção desses processos. Advogando por uma política radical, Escobar formula a noção de “design ontológico” como um meio para se pensar sobre a transição da hegemonia do pensamento universalista moderno para universos plurais, defendendo, assim, um design autônomo que se afasta de fins comerciais e lucrativos em direção a abordagens mais colaborativas.Entendendo que passamos por um processo de desconstrução, aprendizagem e transformação, convidamos os participantes da roda a discutir sobre como começar uma prática de design de transição, pensando termos como decolonialismo, formas colaborativas de trabalho, ativismos e atuação política do design também nas esferas públicas e institucionais.

PUXADORAS:

Clara Meliande (LaDA/ESDI)

Bibiana Serpa (LaDA/ESDI)

Paula de Oliveira Camargo (LaDA/ESDI _ CCD)

RODA 2: MEIO AMBIENTE

Dia 17/10, das 9 às 12hrs

A conjuntura contemporânea de devastação ecológica e social generalizada exige que o pensamento crítico pense ativamente sobre transições culturais profundas. Os discursos para transição têm adquirido força nos últimos anos defendendo a importância de ir além dos limites institucionais e epistêmicos existentes para lograr transformações significativas. Esses discursos partem da noção de que as crises ecológicas e sociais contemporâneas são inseparáveis do modelo social dominante dos últimos séculos.

Neste sentido, o desenvolvimentismo se apresenta como um dos principais discursos e aparatos institucionais que estruturam a insustentabilidade e a eliminação de futuros: a desfuturização. Segundo teóricos da transição, como Arturo Escobar e Ezio Manzini, nossa missão é reinventar o ser humano integrando-o com todos os sistemas vivos. Esse lugar almejado não é algo que se pode chegar, mas que precisa ser criado. É, portanto, a capacidade de imaginar e criar novos mundos que aproxima teorias e práticas de design dos discursos de transição preocupadas em romper a dicotomia humano/natureza. Como o design está muito vinculado ao modelo desenvolvimentista, para se imaginar outros mundos a partir do design é preciso primeiro imaginar outras formas de fazer design.

PUXADORES:

Pedro Biz (LaDA/ESDI)

Pedro Themoteo (LaDA/ESDI)

RODA 3: ARQUITETURA E CIDADE

Dia 17/10, das 14 às 17h

No ano de 2019 o Rio de Janeiro recebeu a notícia de que será contemplado com o título de Capital Mundial da Arquitetura, oferecido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco). Como parte das celebrações provocadas pela comenda, a cidade sediará o 27º Congresso Mundial de Arquitetos da UIA, em 2020. Com o tema “Todos os Mundos, Um Só Mundo, Arquitetura 21”, o evento será dividido nos eixos Diversidade e Mistura; Mudanças e Emergência; Fragilidades e Desigualdades e Transitoriedades e Fluxos.

Visando enriquecer o ambiente crítico do evento e aproveitar sua visibilidade para recolocar questões urbanas no debate público através de leituras atuais e diversificadas da cidade do Rio de Janeiro, o LaDA, junto ao Centro Carioca de Design (CCD – Praça Tiradentes) vem desenvolvendo um projeto de extensão aprovado pela UERJ para debater o assunto. A dinâmica está sendo desenvolvida sob a forma de “residência” no CCD por uma equipe composta por professores e estudantes da ESDI (arquitetura/urbanismo + design), da Universidade Santa Úrsula, e pesquisadores do Laboratório de Design e Antropologia (LaDA/ESDI).

O projeto busca dar foco a arquiteturas, urbanismos, espaços e acontecimentos urbanos além dos monumentos e referenciais canônicos, da chancela do conhecimento técnico, da estética e dos padrões hegemônicos e que, no entanto, dêem notícia da inventividade, diversidade, resistência e capacidade de transformação positiva das próprias condições de vida na cidade por seus habitantes. Nesta roda apresentaremos os resultados parciais do “Mapeamento coletivo de práticas de cidade” ditas/entendidas como produtoras ou transformadoras de espaços urbanos, sejam elas ligadas a sentidos sociais, comerciais, comunitários/identitários, culturais ou políticos. Convidamos a todos para participar de uma oficina que visa compartilhar essas experiências de práticas cotidianas cujos agentes muitas vezes são anônimos e propulsores de espaços de autonomia.

PUXADORES:

Gabriel Schvarsberg – Professor Adjunto DAU-ESDI/UERJ

Barbara Szaniecki – Professora Adjunta ESDI/UERJ

Caio Calafate – Doutorando em Design ESDI/UERJ

Clara Meliande – Doutoranda em Design ESDI/UERJ

Flavia Secioso – Mestre em Design ESDI/UERJ

Mariana Costard – Doutoranda em Design ESDI/UERJ

Paula de Oliveira Camargo – Doutoranda em Design ESDI/UERJ

Estudantes de Graduação: Alessandra da Silva Cariús (USU), Ana Clara Orichio (ESDI/UERJ), Ana Luiza Donin Bemquerer (USU), Bruno Mesquita Souza Monnerat Azevedo (USU), Helio Rodrigues Lima (USU), Ingryd Karla Canto Bartholazzi (DAU-ESDI/UERJ), Laís de Azevedo Paiva Lima (DAU-ESDI/UERJ), Larissa Schott Farias da Silva (DAU-ESDI/UERJ), Lorraine Antunes (USU), Luiza Braga Passos (ESDI/UERJ), Maria Luísa Bonfim Ventura (ESDI/UERJ), Miguel Moreira Guimarães (ESDI/UERJ).

RODA 4: CORPO

Dia 18/10, das 9 às 12h

“A mente não é separada do corpo, nem ambos são separados do mundo, ou seja, do intermitente e transformador fluxo da existência que constitui a vida”, diz o antropólogo Arturo Escobar, no livro Autonomía y diseño: La realización de lo comunal. A crença na separação corpo/mente oculta um mar de possibilidades de ação e de criação. Um mesmo confronto pode ser percebido no campo do design: a invenção de técnicas para a produção em massa exigiu a separação entre a ideação e o fazer. Perder-se, soltar-se, caminhar em linha sinuosa, retornar ao ponto de partida para seguir, então, outros rumos; deixar visíveis erros e imperfeições, saber abarcá-los como parte da linguagem; experimentar a elaboração simultânea da imaginação e do fazer, são ações que podem colocar a prática e a pesquisa do design hoje sob nova perspectiva.

Convidamos, para a roda, pessoas interessadas em debater e/ou criar a partir de saberes corporais: que quebrem com a sua divisão dualista, ou ainda com normas de gênero, de raça, de progresso tecnológico e de mercado; que resgatem costumes ancestrais e decoloniais, atualizados em fazeres e movimentos; ou que sugiram novas formas de criação, trazendo a corporalidade e a experimentação como partes constitutivas dos projetos e da própria vida.

PUXADORES:

Ilana Paterman Brasil (LaDA/ESDI)

Ana Dias (ESDI)

RODA 5: EDUCAÇÃO

Dia 18/10, das 14 às 17h

Os espaços educativos, entendidos como lugares de promoção da autonomia, convergem com práticas participativas em design que propõem o questionamento de condições existentes, a visualização de futuros possíveis e a ação transformadora de indivíduos envolvidos em processos críticos e criativos. Cabe questionar, no entanto, até que ponto a participação em design favorece a percepção e a transformação de realidades, especialmente diante de condições de opressão específicas da América Latina.

Em contraponto às bases conceituais do design participativo geradas no Norte-Global e amplamente reproduzidas na América Latina, a roda Design e Educação se propõe a ser um espaço de reflexão sobre as condições do design participativo praticado no Sul-Global, tendo Paulo Freire e Arturo Escobar como principais referências para a discussão dos sentidos de práxis, autonomia, participação e design.

Para Freire educar para emancipar é um exercício dialógico, de prática e reflexão, em que educadores e educandos caminham juntos na construção do conhecimento e para uma prática libertadora, onde todos atuam como sujeitos na tentativa de superação das opressões, de “olhar para a frente”, na constituição de um futuro menos desigual, em que todos sejamos autônomos (FREIRE, 1970).

A pista lançada por Arturo Escobar nos possibilita pensar o papel da Universidade, de outros espaços educativos, do ensino de design e do ensino por meio do design, nesses processos. O conhecimento acadêmico, fundado no firme imperativo da separação do mundo natural, não é suficiente para nos fornecer a sintonia com a Terra, necessária para os humanos trabalharem em conjunto com ela. Também ainda resiste em aceitar o saberes locais, de culturas que se recusam a se entregar ao mundo globalizado, mantendo seus modos de habitar e enraizar seus mundos. Neste sentido, a universidade pode desempenhar um papel construtivo em relação ao design autônomo e para a transição? Não estaria imersa no projeto do Iluminismo, com suas premissas fundadas no antropocentrismo, liberalismo e capitalismo? Para colocá-la em termos de ontologia política, não é a universidade uma das forças mais eficazes de ocupação ontológica da vida e os territórios do povo, juntamente com o Estado, a economia, a Polícia e os exércitos? Será que a academia será capaz de superar a cultura da profissionalização?

Convidamos para esta conversa os interessados em repensar as práticas pedagógicas e de design, as formas de construir processos participativos e, também, suas próprias maneiras de habitar o mundo. Como reorientar o design, a educação, a academia e a participação para visões que privilegiem a des-hierarquização e a deselitização do conhecimento? É possível uma descolonização epistêmica? Como manter o compromisso duradouro com projetos de vida politizados? De que maneiras podemos cumprir essa missão?

PUXADORES:

Imaíra Portela (LaDA/ESDI)

Marina Sirito (LaDA/ESDI)

Samia Batista (LaDA/ESDI)