Egresso
da Bauhaus alemã, em 1937 László Moholy-Nagy fundou a "New Bauhaus:
Chicago Scool of Design", a convite da "Chicago Association
of Arts and Industries", em Chicago, Illinois, EUA. Em 1939, a escola
muda de endereço dentro da cidade e reabre com o nome de "School
of Design". Serge Chermayeff sucede a Moholy como diretor, e negocia a
integração da escola com o "Illinois Institute of Technology",
cujo "College of Architecture" estava na época sob a direção
do famoso arquiteto (também vindo da Bauhaus) Mies van der Rohe. A partir
dessa integração, a escola passa a se chamar "Institute
of Design" e em 1955 se instala em um dos prédios mais importantes
do campus projetado por Mies, o "Crown Hall", marco da arquitetura
modernista do período nos Estados Unidos.
Desde então, a escola passou por diversas fases, tendo sempre caminhado
no sentido de tornar o design profissão e não apenas prática
profissional ou artística. Um dos nomes importantes nessa caminhada
foi o do designer Jay Doblin, que dinamizou o interesse dentro do Institute
of Design pelas questões metodológicas e a aproximação
com as empresas e o mundo dos negócios. Na década de 1960 foi
criado o curso de mestrado, e a partir de 1989, já sob a direção
do professor Patrick Whitney, o curso se volta apenas para a pós-graduação,
e lá é criado então o primeiro curso de doutorado em design
nos EUA.
A comunidade de alunos que integram o curso do Institute of Design é composta
de pessoas de diversas procedências, com muitos estrangeiros de variadas
nacionalidades, além dos próprios norte-americanos. Dentre os
estrangeiros, vários brasileiros poderiam ser mencionados, ao longo
dos anos de existência dos cursos de mestrado e, mais recentemente, de
doutorado, sendo que alguns, inclusive, ex-alunos da Esdi. Um brasileiro procedente
da Universidade de Brasília, que em 2006 completou o seu curso de doutoramento, é o
designer Adriano Galvão. A sua tese de doutoramento foi editada e recentemente
transformada em livro, com o título Design Relationships: Integrating
User Information into Product Development.
O trabalho se volta para o campo do desenvolvimento de produtos, de uma forma
inovadora, mantendo sempre a perspectiva do design industrial como eixo integrador
e força direcionadora do processo. Quatro questões extremamente
importantes no desenvolvimento de produtos são abordadas: a compressão
dos ciclos de desenvolvimento, complexidade de produtos e sistemas, confluência
de tecnologias diversificadas e, de modo especial, como os fabricantes de produtos
industriais muitas vezes falham na hora de compreender as questões associadas
aos usuários (interações, necessidades, desejos) como
chave fundamental para o desenvolvimento bem sucedido de arquiteturas de produtos
baseadas no usuário.
Os conceitos de arquitetura do produto, relações usuário-produto,
a representação correta dos requisitos dos usuários na
formulação da arquitetura do produto são apresentados
e elaborados de modo a procurar "humanizar" a fase de estabelecimento
da arquitetura do produto dentro do processo de desenvolvimento de produtos
industriais, que ainda permanece dominada por uma visão excessivamente
tecnicista, focada quase que exclusivamente no produto em si (e isto é mais
contundente no caso de produtos de alta tecnologia). O livro, a partir de tais
pressupostos teóricos, avança com a proposição
de um método ("Function Task Interaction Method", FTI) e na
demonstração do seu uso apresentando estudos de caso que proporcionam
um exame mais acurado e aprofundado de produtos, eventos ou processos em situações
profissionais concretas e ainda na área educacional, relacionado ao
trabalho de alunos da pós-graduação do Institute of Design.
De um ponto de vista mais abrangente, pode-se dizer que o doutor Adriano Galvão
produziu um livro que contribui expressivamente para o campo da Metodologia
do Design, abordando temas inovadores e relevantes, cujo conteúdo interessa
a designers, educadores, engenheiros, gerentes de produto, e outros profissionais
envolvidos na generosa tarefa de criar produtos que funcionam e se adaptam
melhor aos seus consumidores.
Resenha por Luiz Antonio de Saboya, professor da Esdi, onde se formou
em 1979, e mestre em design pelo Institute of Design do Illinois Institute
of Technology (1985). Página apontada pelo "sinal" 239 (11
a 18.01.2008).