Revista Arcos - 1

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volume I número único
outubro de 1998

Documento
O que o desenho industrial pode fazer pelo país?
Aloísio Magalhães
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Artigos
Design, cultura material e o fetichismo dos objetos
Rafael Cardoso Denis
O design e a situação mundial
Victor Margolin
Brasília: a construção de um exemplo
Lauro Cavalcanti
O designer valorizado
Nigel Whiteley
Desconstrução e tipografia digital
Flávio Vinicius Cauduro

Acervo
A capa de disco no Brasil: os primeiros anos
Egeu Laus
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Resenha
Ezio Manzini. A matéria da invenção
Luiz Antonio de Saboya
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Editorial
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Iniciais
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Finais
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Design, cultura material e o fetichismo dos objetos
Rafael Cardoso Denis
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O presente artigo sugere novas perspectivas sobre o papel do designer na sociedade industrial tardia através de uma análise das maneiras em que o design se relaciona à categoria maior da cultura material. Após um breve resumo do desenvolvimento histórico deste último termo, sugere-se que as atividades abrangidas pelo design pertencem a um processo mais amplo de investir os objetos de significados, processo este que pode ser descrito como uma espécie de "fetichismo dos objetos". Através de uma análise das origens etimológicas da palavra "fetichismo" - examinando as várias formas em que foi empregada na antropologia, na economia e na psicanálise - demostra-se que esse conceito pode ser útil para pensarmos as maneiras em que os artefatos são produzidos e investidos de significados. Conclui-se que os designers devem usar tais categorias conceituais para repensar a sua abordagem do objeto projetado, o que pode ajudar a enfrentar os dilemas ideológicos gerados pelo declínio dos dogmas modernistas ao longo das duas últimas décadas e pela ascensão paralela da informática.



O design e a situação mundial
Victor Margolin
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O presente artigo aborda os dilemas provocados pelo conflito entre dois paradigmas opostos de desenvolvimento mundial: um ‘modelo de expansão’ que propõe o crescimento contínuo de mercados como a solução para os problemas de distribuição desigual de riqueza e um ‘modelo de equilíbrio’ que aponta o abuso de recursos finitos e outras questões ambientais como limites necessários ao crescimento. O autor sugere que o campo do design é idealmente constituído para oferecer novas abordagens capazes de efetuar uma integração profícua entre estas duas posições aparentemente irreconciliáveis. Devido à própria natureza dos seus métodos e técnicas, o design possui a capacidade de conceber novos rumos produtivos, desde que os designers sejam capazes de ampliar a sua esfera de ação tradicional para abarcar questões mais amplas das quais dependem a manutenção do bem-estar geral do mundo e não apenas aquele de alguns segmentos da população.



Brasília: a construção de um exemplo
Lauro Cavalcanti

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O presente artigo discute a construção de Brasília e seu legado histórico, enfocando as ligações entre as ideologias modernistas e as estruturas de poder político que dominaram o Brasil durante o final da década de 1950. Brasília foi apresentada na época como a realização do ideal modernista de planejamento urbano racional, uma experiência socialista no uso da arquitetura para mudar a sociedade. Desde lá, porém, a cidade tem deixado de atender, de modo geral, aos ideais de quem a projetou. Ao invés, a nova capital veio a ser apropriada pelos governos militares das décadas de 1960 e 1970 como símbolo do seu próprio poder autoritário, função para a qual, argumenta-se aqui, era idealmente constituída pelo autoritarismo inerente às tendências ideológicas que a geraram. O artigo analisa o legado desse exemplo único do alto Modernismo para a arquitetura e o urbanismo e conclui que, ironicamente, o estilo de Brasília acabou por sobrepujar-se à sua proposta.



O designer valorizado
Nigel Whiteley

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O presente artigo faz um mapeamento de vários modelos diferentes do designer que existem ou já existiram e conclui que precisamos desenvolver um novo modelo para o próximo milênio: o ‘designer valorizado’. Critica-se os seguintes modelos atuais: 1) o designer formalizado, 2) o designer teorizado, 3) o designer politizado, 4) o designer consumista, 5) o designer tecnológico. O modelo do designer valorizado reconhece a diversidade do design e dos seus valores, bem como as mudanças no papel do designer, argumentando contudo que essa mudança não é simples nem linear. Reconhece também as mudanças na relação entre teoria e prática e o crescimento da interdisciplinaridade. Para o novo milênio, precisamos formar designers que sejam tão inteligentes e capazes de se expressar verbalmente quanto criativos em termos visuais - já não se trata mais de uma questão e/ou. Qualquer que seja a sua especialidade em design ou o seu posicionamento pessoal/político/social, os designers precisam estar cientes dos valores e da implicação destes. Esse tipo de consciência e de conhecimento contribuirá não somente para as soluções e metodologias projetivas do designer mas também para as suas atitudes e sensibilidades como cidadão.



Desconstrução e tipografia digital
Flávio Vinicius Cauduro
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Tradicionalmente, tem-se concebido a escrita como apenas uma ferramenta para o registro de pensamentos e discursos verbais. Até mesmo Saussure, o pai da lingüística moderna e da semiologia, não conseguiu se livrar desse preconceito, conforme demonstrou Derrida. Todavia, muitos artistas plásticos, poetas e designers gráficos vêm tentando há tempos demonstrar o potencial do design tipográfico para provocar emoções e indicar relações, indo além de sua função simbólica e notacional, tendência esta que data principalmente da produção de cartazes litográficos no final do século XIX. Com o surgimento do Modernismo, a visão logocêntrica da escrita passou a prevalecer entre os designers gráficos europeus e depois expandiu-se mundo afora devido em grande parte aos movimentos racionalistas que deram origem, após a Segunda Guerra Mundial, à chamada escola suiça de design, cuja abordagem minimalista se tornou influente no mundo inteiro sob a denominação de Estilo Internacional. Foi somente na década de 1980, com o aparecimento do computador gráfico pessoal e com a difusão da teoria desconstrutivista entre estudantes de design gráfico, que a tipografia pôde manifestar todo o seu potencial comunicativo, visto que foram enfatiza-dos pelos novos designers digitais os seus aspectos icônicos e indiciais, em adição às suas características simbólicas, permitindo a reintrodução do sujeito e sua história na prática retórica do design .

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