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volume II número
único
outubro de 1999
Documento
Os designers e os políticos
R. Buckminster Fuller
Artigos
As cinco raízes formais do desenho industrial
Julio roberto Katinsky
Philippe
Stark: ficção semântica
Henri-Pierre Jeudy
Centralidade
e modernismo: a memória desvanecida
Eduardo Mendes de Vasconcellos
Os
conceitos de necessidade, utilidade e funcionalidade para o design gráfico
Washington Dias Lessa
Entrevista
- Amador Perez
A imaterialidade do risco
Resenhas
Cultura Visual
Francisco Gomes de Matos
Garimpo
lúcido
Roberto Conduru
Philippe
Starck: ficção semântica
Henri-Pierre Jeudy
O presente artigo oferece uma análise crítica da atuação
de Philippe Starck como designer. Freqüentemente repudiada como
puro modismo ou até como mau design, a obra de Starck é
analisada aqui segundo os critérios propostos pelo discurso de
seu criador, enfocando o seu poder de transmitir idéias e conceitos
e não apenas construindo o debate em termos de noções
tradicionais de estética ou de funcionalidade. Se, como argumenta
Starck, o design é um ofício semântico, como podemos
avaliar a atuação dos objetos de design, e do próprio
designer, nos sistemas mais amplos de significação, que
constituem o mundo pós-moderno? Examinando questões como
a banalidade, a arbitrariedade, a justeza e a ironia dos objetos, o
artigo explora a proposta starckiana de se criar uma semãntica
dos mundos possíveis, através de um esvaziamento relativo
do papel simbólico do design.
Centralidade e modernismo: a memória
desvanecida
Eduardo Mendes de Vasconcellos
Através da análise dos modelos de reforma urbana impostos
sucessivamente a cidade do Rio de Janeiro desde os tempos coloniais
até o presente, o artigo discute o papel da consciência
racional e utópica de matriz européia como transformador
da paisagem social e física da América Latina. A cidade
latino-americana vascila historicamete entre os pólos de sonho
e pesadelo da imaginação européia, e isto pode
ser discernido através da história urbana do Rio, principalmente
na tendência autofágica de consumir o passado em nome de
uma modernidade sempre fugaz. O autor propõe a recuperação
da memória e da tradição como antídotos
a voracidade destrutiva da busca impossível pela centralidade.
Os conceitos de necessidade, utilidade
e funcionalidade para o design gráfico
Washington Dias Lessa
Partindo do argumento de que as necessidades são condicionadas
social e culturalmente, o artigo explora a aplicação de
´utilidade` e ´funcionalidade´ como categorias na
discussão do design gráfico e se desdobra em uma análise
crítica de diferentes argumentos empregados ao longo dos anos
para justificar a ênfase dada a esses conceitos. Ao situar os
conceitos de funcionalismo e utilitarismo em seus respectivos contextos
filosóficos, torna-se patente que tem existido uma supervalorização
histórica da utilidade como uma naturalização falsa
da idéia de necessidade. O autor propõe uma abertura da
noção de funcionalidade para abranger também o
referencial da linguagem.
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