Formulários para download

Os contornos de sentido do termo design no fomento ao artesanato no Sebrae
O desenvolvimento de projetos de fomento ao artesanato com fins socioeconômicos no Brasil têm surgido em grandes números em todas as regiões do país em maior quantidade desde a década de 1990 e tem sido um dos principais responsáveis pela aproximação cada vez mais recorrente entre designers e artesãos. O Sebrae é hoje a maior agência de fomento ao micro empreendedorismo do Brasil e também a agência a realizar o maior número de projetos de fomento ao artesanato em todos os estados do país. Movimenta significativamente a economia do segmento e está relacionada ao desenvolvimento de políticas públicas aplicadas ao artesanato, e assim, ajuda a determinar as estratégias futuras para o setor. É também o maior responsável por facilitar o encontro entre entre designers e artesãos, e, por possibilitar estes encontros também baliza a maneira pela qual tais encontros são praticados, acionando designers através de consultorias oferecidas pelos profissionais da área àqueles aos quais os projetos se destinam. Esta pesquisa tem por fim perceber que design é esse que aplicamos no fomento ao artesanato, analisando os modos com que o termo design vem sendo acionado pelo Sebrae, buscando compreender como se dão as interferências destes conceitos nas práticas de designers no fomento ao artesanato realizados pela agência, através da análise de documentos gerados pelo Sebrae sobre as categorias design e artesanato, bem como através da pesquisa de campo realizada em Recife/PE que pretende investigar qual é o lugar do Sebrae nestes processos através dos discursos sobre as práticas de atores envolvidos nesses contextos no Pernambuco. Espera-se que através do investimento de pesquisa proposto nesta dissertação, possamos levantar questões que permeiam o campo do design quando se aproxima do artesanato, a fim de pôr em discussão os usos do design que emergem dos discursos sobre o fomento ao artesanato.

A cartografia social como ferramenta na criação de vínculo junto aos moradores de Petrópolis
Em 15 de Fevereiro de 2022, a cidade de Petrópolis foi cenário de um dos maiores desastres ambientais registrados no país, deixando mais de 3 mil desabrigados e 234 mortos (Diário de Petrópolis). Outros dois desastres de grande proporção foram os ocorridos em 1988, que atingiu o primeiro distrito, deixando 134 mortos e mais de mil desabrigados, e o que ocorreu em 2011, que atingiu toda a região serrana do estado, deixando mais de 900 mortes e 100 pessoas desaparecidas, sendo o maior impacto ocorrido na cidade de Nova Friburgo. Em Petrópolis, a região mais atingida foi o 3o Distrito, principalmente, o Vale do Cuiabá. Embora as chuvas tenham atingido o primeiro distrito como um todo, são em áreas de maior vulnerabilidade social onde percebe-se o maior impacto da tragédia. São nessas localidades onde o poder público demora mais para chegar e garantir retorno ao acesso à direitos básicos como energia elétrica e água. Segundo o site da Prefeitura de Petrópolis, até o dia 18 de Abril de 2022, foram contabilizadas 137 construções com estruturas danificadas que deveriam ser demolidas nas regiões do Alto da Serra, Quitandinha, Caxambu, São Sebastião, Chácara Flora, Siméria, Bingen, Bairro da Glória, Provisória, Mosela, Morin, Estrada da Saudade e Castelânea. Até Março de 2022, o Centro da cidade não contava com as sirenes de alerta da Defesa Civil que indicam o risco de deslizamento e, os lugares onde essas sirenes existem muitas vezes não vem acompanhado de treinamentos do que fazer em situações de emergência. O indicado é ir para um local seguro, normalmente uma escola municipal, que não é abastecida e nem preparada para receber uma grande quantidade de pessoas. Todo o alimento, roupas e kits de higiene pessoal são recebidos através de doações, porém apenas depois de acontecer o pior. De acordo com os jornais da época, o Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais) emitiu um alerta de chuvas fortes para a região dias antes. Este órgão foi criado após a tragédia de 2011 com intuito de monitorar e emitir alertas sobre condições meteorológicas que possam oferecer risco à população. Mesmo com a tecnologia implantada para o monitoramento meteorológico e movimentação do solo, não houve a realização de obras necessárias para evitar este tipo de tragédia. De acordo com o site do MAB, o Governo do Estado, em balanço realizado no ano de 2021 (dez anos desde a tragédia de 2011), reconheceu que um terço da verba, equivalente à R$ 500 milhões, destinada à construção de moradias, contenção de encostas e limpeza do leito dos principais rios não havia sido ainda aplicada. Este fato corrobora para o indicativo de que a vulnerabilidade e exposição das pessoas às áreas de risco aumente o impacto das chuvas num território já propenso aos deslocamentos de terra.

Em Busca da Lona: O Movimento Pendular Cultural no Rio de Janeiro
A pesquisa tem como objetivo pensar uma cartografia a partir da investigação das práticas culturais de corpos periféricos que cruzam diferentes regiões em busca de lazer na região central do Rio de Janeiro. Ao focar nesses espaços, percebe-se um grande símbolo que atrai esses grupos para as festas de ruas cariocas: as tendas de lona de circo. Assim, destaca-se a arquitetura efêmera, buscando mapear os afetos dessa cartografia. Esses espaços são cruciais para a formação de identidades e grupos, pois fomenta expressões como o samba e o funk. O estudo visa analisar essa cultura como uma ferramenta de resistência, explorando a constante transformação dos locais selecionados para estudo de caso, a fim de entender como esse símbolo, com sua presença em eventos e ausência no cotidiano, influencia o comportamento urbano e social, além de atrair pessoas de diferentes regiões do Rio de Janeiro.

A evolução estética dos desfiles das escolas de samba pela perspectiva preta
A proposta para pesquisa com o título "Olhar do negro sobre a evolução da estética dos desfiles de escola de samba" tem como objetivo analisar a evolução da estética dos desfiles de escola de samba sob a perspectiva de indivíduos negros. A pesquisa se baseia em uma abordagem qualitativa, utilizando entrevistas semiestruturadas com indivíduos ligados ao universo do samba, como carnavalescos, pesquisadores e integrantes de escolas de samba, e a análise de materiais como fotos, vídeos e textos relacionados aos desfiles ao longo dos anos, buscando resgatar o negro como centro da discussão. A pesquisa visa destacar a importância da perspectiva negra para a compreensão da estética dos desfiles, enfatizando a necessidade de valorizar a diversidade cultural brasileira. Ela destaca a importância do samba como um elemento de resistência e afirma que a preservação das raízes afro-brasileiras no samba e nos desfiles é essencial para a construção de uma identidade nacional mais inclusiva e diversa.

Interações solidárias: um estudo sobre metodologias participativas no desenvolvimento de tecnologias para movimentos sociais
As tecnologias digitais são hoje um campo de disputa essencial para movimentos sociais, coletivos e cooperativas autogestionárias. Apesar do potencial emancipatório das infraestruturas digitais baseadas em software livre e governança democrática, grande parte das tecnologias utilizadas no dia a dia dessas organizações ainda opera dentro de lógicas centralizadoras, opacas e extrativas.
Esta pesquisa busca reunir aprendizados acumulados na implementação de tecnologias para movimentos sociais e na economia solidária digital para mapear os desafios e limitações das infraestruturas digitais contemporâneas. A partir de um olhar crítico sobre experiências em redes de economia solidária, cooperativas e organizações populares, a pesquisa identificará contradições, barreiras e alternativas tecnológicas que influenciam a autonomia e a organização democrática desses espaços.

Cozy Games
Os Cozy Games, ou Jogos Aconchegantes — jogos eletrônicos cujo principal objetivo é entregar conforto emocional e bem-estar mental aos jogadores — estão em ascensão, provando que, além de existir um grande público a ser considerado, os jogos podem ir além do estereótipo violento e evocar sentimentos positivos. O principal objetivo desta pesquisa é discutir a questão: devido à falta de categorização clara da indústria, jogadores que se preocupam com sua saúde mental — assim como os que procuram maneiras de se sentirem bem mentalmente — se frustram ao buscarem jogos eletrônicos que os fazem sentir-se acolhidos.

Imagens esquecidas, objetos e histórias encontradas no shopping chão
Esta pesquisa pretende analisar o universo das imagens técnicas, produzidas por câmeras analógicas, digitais, celulares, ou qualquer outro meio tecnológico, e como estas materialidades se relacionam com o mundo ao passar do tempo. A partir de um contato cotidiano com o Shopping Chão, proponho uma reflexão sobre os usos e sentidos atribuídos aos registros, em diversas mídias, encontradas pelos vendedores de rua, assim como, sobre o destino das imagens na sociedade contemporânea. Além de analisar as imagens em si, busco refletir sobre o contexto em que as mesmas se inserem e as relações que estabelecem com o mundo. Neste sentido, a própria prática desses vendedores que coletam coisas – e imagens – para vender no comércio informal se torna objeto de estudo desta pesquisa.

Da imagem estática à representação gráfica de movimento: uma análise comparativa das estratégias de composição visual e das convergências estéticas entre o painel das histórias em quadrinhos e o quadro cinematográfico a partir de “Persépolis” (2000) e “Tungstênio” (2014)
As histórias em quadrinhos se propõem a traçar narrativas de forma visual, a partir de um léxico muito próprio de signos e de contratos estipulados com o seu leitor. Numa posição ativa de construção de sentido, quem as consome se vale essencialmente de “imagens pictóricas e outras justapostas em sequência deliberada destinadas a transmitir informações e/ou a produzir uma resposta no espectador” (MCCLOUD, p. 9). Em se tratando de uma produção gráfica estática, a fruição de movimento completo dos personagens, portanto, se dá a partir da elipse entre os quadros. É de extrema importância que o leitor esteja disposto a trabalhar ativamente para trazer vida ao escopo narrativo completo da obra. É, portanto, inegável a relação entre forma e conteúdo na construção narrativa, estética e estilística da obra. Os quadrinhos operam como meio – e não como gênero, importante frisar – e deliberadamente se apropriam das particularidades de sua linguagem como ferramentas narrativas. É de suma importância nesse momento direcionar nosso foco para o objeto de estudo do presente trabalho: a relação estética traçada entre o design do quadro na arte sequencial – convencionado como “painel”, tradução do “panel” (EISNER, 1989) – e o do quadro cinematográfico – do inglês “frame” – dela adaptado. A relação entre a sétima e a nona arte parte de sua realização fundamental, desde a proposta embrionária de representação fiel de movimento a partir dos fotogramas sequenciais de Muybridge em 18781. A película projetada nada mais é que a exibição de vinte e quatro fotogramas por segundo, um seguido do outro, utilizando-se da relação íntima de proximidade entre um fotograma e outro para criar no espectador a ilusão de movimento – extrapolando o fator hipnótico da representação do real (BENJAMIN, 1994), “real” este perfeitamente aplicável à movimentação de agentes físicos no espaço filmado. A análise das engrenagens e técnicas necessárias à tecnologia do cinema pelo prisma de sua realização revela, no entanto, que a cinesia filmada não é real. É, pelo contrário, simulada no espaço vazio da ínfima fração de segundo entre um fotograma e outro – fotogramas tais cuidadosamente desenhados e estruturados para simultaneamente congelar a ação no tempo e dar vida ao seu movimento pela sequencialidade. É similar a construção feita nos quadrinhos: o movimento é efetivamente criado pela atividade do leitor de percorrer a página com os olhos e imaginar, completando os espaços entre os painéis, o local onde a ação se desenrola e vira realidade (EISNER, 1989).

Contribuições do design industrial para a inovação no setor de energia offshore
Este trabalho estuda a relação entre design industrial e o setor de energia offshore, duas áreas que historicamente mantiveram pouca interação. O estudo objetiva identificar uma oportunidade de inovação ao aplicar o design centrado no usuário e a prototipagem no desenvolvimento de uma solução focada na segurança em ambiente offshore. A pesquisa adota uma abordagem exploratória, utilizando uma metodologia que inclui uma revisão sistemática da literatura e um estudo de caso realizado em uma empresa de engenharia submarina e operação de navios PLSVs (pipe laying support vessels). Além disso, a pesquisa aborda os atuais desafios do setor offshore, como a digitalização e a transição energética, uma grande mudança na exploração de combustíveis fósseis para energias renováveis. Espera-se que os resultados obtidos nesse estudo contribuam para pesquisas futuras na área de energia offshore focadas no design, além de contribuir para uma maior conexão entre designers, profissionais da área offshore e pesquisadores.

Design das relações: amor, escuta e procedimento
A pesquisa propõe uma reflexão crítica sobre o design no Brasil, explorando suas interseções com as artes por meio de uma empresa-ficção chamada Seguro Término de Relacionamento (STR). Esta empresa fictícia tem a missão de apoiar pessoas passando por términos amorosos, investigando as formas contemporâneas de relacionamento afetivo, como monogamia e não-monogamia. A abordagem é qualitativa, combinando teoria e prática.

Corpos refugiados LGBTI+: A Casa Dulce Seixas como espaço de acolhimento e resistência na reivindicação do direito à cidade para refugiados LGBTI+ no Rio de Janeiro
Esta dissertação aborda a interseção entre Design, Arquitetura, direito à cidade e o fenômeno do refúgio entre indivíduos LGBTI+. Focando na experiência de refugiados que buscam abrigo em novos países devido ao preconceito quanto à identidade de gênero e orientação sexual. A pesquisa tem como objetivo compreender e colaborar com melhores condições de vida desses indivíduos, considerando tanto os aspectos políticos, quanto sociais do ambiente urbano para com estes corpos dissidentes. A dissertação também aborda questões legais, analisando as legislações urbanas e de habitação em relação aos direitos dos refugiados LGBTI+. Além disso, explora a participação comunitária como um elemento-chave no processo de design de uma cidade acolhedora, visando garantir que as necessidades específicas dessa população sejam atendidas de maneira sensível e eficaz às suas principais demandas.

O design e a modelagem 3D no auxílio do ensino-aprendizagem em ciência para a educação em saúde
A dissertação explora uma interseção entre design, educação e ciências biológicas, com ênfase na modelagem 3D como ferramenta didática para o ensino de virologia no Ensino Fundamental I. O estudo tem como foco a representação tridimensional de processos de contaminação viral, utilizando como caso exemplar a morfologia e a replicação de vírus específicos, como H1N1, SARS-CoV-2, Zika e Dengue, visando a compreensão desse conteúdo pelos estudantes. A pesquisa justifica-se pela necessidade de esclarecimento sobre esses agentes patológicos e suas implicações para a saúde pública, através da modelagem 3D permite-se a representar visualmente organismos microscópicos de uma maneira acessível e compreensível para os alunos, contribuindo para a construção de conhecimento sobre temas que frequentemente são abstratos e difíceis de visualizar.
Tomaram-se como referencial teórico artigos do campo da biologia, da epidemiologia, diretrizes curriculares e metodologias de design, além de tecnologias de modelagem e impressão 3D. A metodologia inclui uma revisão sistemática da literatura (RSL) utilizando-se a metodologia de Dresher (2017). Juntamente com a análise da Base Nacional Curricular em Ciências do Ensino Fundamental I, realizou-se uma entrevista exploratória com especialistas (professores e pedagogos) que ensinam e atuam neste meio buscando opiniões de possíveis organismos microscópicos com potencial de desenvolvimento tridimensional. Após seleção de um tipo de organismo microscópico (o vírus), desenvolveu-se o modelo didático 3D com softwares de modelagem, Nomad Sculpt, e por fim a impressão 3D do produto educacional pedagógico foi executada. Por último, realizaram-se entrevistas novamente com especialistas (professores e pedagogos) com foco na avaliação do potencial didático do modelo, coletando feedbacks e sugestões de melhorias tanto pedagógica quanto de forma para novos modelos.

Projeto escola: as professoras como designers
Neste estudo, o objetivo é aprofundar a compreensão sobre o papel das professoras como designers e desenvolvedoras de projetos escolares. Inicialmente, a pesquisa buscará investigar os processos e as inspirações que orientam as docentes na criação e implementação de projetos em suas salas de aula. Reconhece-se que o design é uma ferramenta já empregada pelas educadoras e que o pensamento projetual, sendo uma forma de inteligência acessível a todos, pode ser aprimorado através de treinamento (CROSS, 2011). Em seguida, a pesquisa visa explorar maneiras de colaborar com as professoras no uso do design em suas práticas diárias. Além disso, será analisado como essas docentes utilizam o design para inovar, afastando-se das metodologias tradicionais e das abordagens expositivas, com destaque para como a reorganização do ambiente escolar pode promover a quebra de hierarquias e o protagonismo dos alunos.

Design Anthropology no Brasil: Uma aproximação
Com a pesquisa espero poder me aproximar do entrelaçamento entre Design e Antropologia, procurar semelhanças e diferenças com um fazer Design Anthropology na Europa - em relação ao Brasil -; refletir sobre como esse campo do conhecimento - e não por isso menos engajado com a prática - está sendo formulado no Brasil; mapear onde e como está sendo produzido e articulado - dentro das possibilidades de uma pesquisa de dois anos. Num âmbito mais geral, como a produção deste campo pode ajudar a pensar em práticas em design comprometidas com o tempo presente, como responder às críticas ao projeto moderno, à crise social e ambiental a que o Antropoceno se caracteriza.

Arquitetura como ordem social: Rio de Janeiro e seus dispositivos de exclusão
O projeto em questão visa investigar os arquétipos e processos violentos que influenciam a concepção e o desenvolvimento da cidade do Rio de Janeiro no campo da Arquitetura e Urbanismo. O objetivo é analisar como as práticas colonizadoras, estabelecidas durante o período de colonização, continuam a impactar as relações contemporâneas com o território urbano. Para isso, é fundamental revisar o passado para entender o presente, observando como essas práticas foram preservadas, modificadas e adaptadas ao longo do tempo. A pesquisa enfoca a produção espacial na cidade, caracterizada por uma diversidade de códigos não oficiais e relações de poder que emergem de técnicas defensivas utilizadas na configuração urbana.

Laboratórios de inovação do poder judiciário: o impacto do design no avanço do acesso à justiça
O objetivo principal desta pesquisa é analisar como a aplicação de metodologias de Design, incluindo mas não se limitando ao Design Thinking, tem contribuído para a expansão do acesso à justiça no Brasil através dos laboratórios de inovação no Poder Judiciário. Como objetivos secundários, a pesquisa pretende mapear e registrar os estudos de três laboratórios de inovação no setor judiciário: o iJuSPLab, da Justiça Federal de São Paulo (fundado em 2017); o Laboratório de Inovação do Tribunal de Justiça do Estado do Ceará (estabelecido em 2020); e o Laboratório de Inovação INOVA do Ministério Público do Rio de Janeiro (criado em 2019). Apesar de o Ministério Público não ser um órgão do Poder Judiciário, sua análise é relevante devido à sua função na garantia de direitos e no acesso à justiça. A pesquisa visa refletir sobre o papel desses laboratórios, explorando seus objetivos, as metodologias que orientam suas atividades, o número e a natureza dos projetos inovadores voltados para o acesso aos direitos e ao sistema de justiça, bem como os indicadores de desempenho utilizados para medir seus resultados.

Redesign do aplicativo e portal SISS-Geo – Sistema de Informação em Saúde Silvestre da Fiocruz
O presente estudo investiga o impacto da urbanização e da degradação ambiental no surgimento e na propagação de doenças zoonóticas no Brasil, destacando como o contato crescente entre humanos e animais silvestres facilita a emergência de novas doenças, como a Covid-19. O Sistema de Informação em Saúde Silvestre (SISS-Geo) da FIOCRUZ é analisado como uma ferramenta essencial para o monitoramento da saúde dos animais silvestres e para a detecção precoce de patógenos. Lançado em 2014, o SISS-Geo oferece uma plataforma gratuita acessível via smartphones e web, permitindo a coleta de dados por diversos colaboradores e a geração de alertas automáticos sobre anormalidades em animais. O estudo foca na melhoria da usabilidade do sistema, aplicando princípios de "user experience" para torná-lo mais intuitivo e acessível, visando otimizar sua eficácia na prevenção e controle de zoonoses e na conservação da biodiversidade.

A RESPONSABILIDADE NO DESIGN: Uma análise dos padrões enganosos em soluções digitais de marketplace de saúde
As soluções digitais utilizam as melhores práticas de design persuasivo para proporcionar uma boa experiência ao usuário. No entanto, técnicas de design de padrões enganosos, que usam princípios comportamentais para induzir ações e gerar lucro, têm se tornado comuns. Este trabalho investiga os padrões enganosos, que priorizam os interesses comerciais em detrimento da experiência confiável para o usuário. Através de entrevistas com designers, são analisadas as perspectivas técnicas por trás desses padrões e é apresentada uma reflexão sobre a responsabilidade social do designer na influência e criação de produtos digitais éticos e transparentes.

Pesquisar é coletar pistas: como o design pode ser aliado na autoestima de uma menina
Esta pesquisa origina-se de uma experiência pessoal com Helena, uma menina negra de cinco anos, durante um trabalho de conclusão de curso. O objetivo inicial foi investigar as percepções distorcidas que Helena tinha sobre si mesma, associadas a características físicas como sua pele e cabelo. Utilizando uma abordagem de escuta ativa e atividades participativas, como oficinas de penteado e leituras, a pesquisa buscou entender e expandir a visão de Helena sobre sua identidade e autoestima.
O estudo reconhece que a jornada de autoconhecimento é um processo contínuo e não pode ser plenamente alcançado em um projeto limitado. Portanto, questiona a eficácia de encerrar o projeto e sugere a continuidade do trabalho com Helena e sua família para promover discussões mais amplas sobre racialidade e autoestima infantil. A pesquisa propõe que um design participativo e lúdico pode ser adaptado para outras famílias, fomentando diálogos sobre autoimagem e questões raciais, e contribuindo para um contínuo processo de autoconhecimento.

Design e agroecologia urbana: fundamentos da permacultura em ambientes urbanos

Construção de si: uma abordagem metodológica para explorar a subjetividade e imagens mediadas por meios digitais
Com o constante aumento de redes e produtos digitais centrados no compartilhamento, manipulação ou geração de imagens, faz-se necessário refletir sobre o papel da imagem mediada por dispositivos digitais na contemporaneidade, bem como o que pode ser a participação do design, enquanto disciplina, dentro desta dinâmica. É necessário para a disciplina do design, enquanto uma ciência social aplicada, ter um olhar que não se volte apenas para a técnica e a criação do artefato, mas que também se proponha a realizar uma análise crítica do seu impacto na sociedade e por consequência, na formação da subjetividade daquelas que compõem a mesma. De uma maneira mais geral, dever-se-á admitir que cada indivíduo, cada grupo social veicula seu próprio sistema de modelização da subjetividade, quer dizer, uma certa cartografia feita de demarcações cognitivas, mas também míticas, rituais, sintomatológica, a partir da qual ele se posiciona em relação aos seus afetos. suas angústias e tenta gerir suas inibições e suas pulsões.(GUATTARI, 1992, p. 21) A figura do designer também aparece em jogo, como sujeito e objeto uma vez que essa pesquisa propõe-se uma reflexão sobre seu papel e responsabilidades para com o entendimento desses meios e mídias, mas acima de tudo, em seu comprometimento com as "Práticas de si" e com as pessoas nas quais está centrando sua criação. É possível pensar em outros modos de estar nessa rede digital, produzir interfaces e influenciar comportamentos? Adota-se como ponto de partida também, a observação de que este trabalho também é atravessado pelas experiências pessoais da autora enquanto mulher, cidadã carioca e designer com anos de experiência no mercado de produtos digitais. Pretende-se também nesse processo incorporar o saber empírico e o criar em conjunto com outras pessoas. Pretende-se adotar como ponto de partida abarcar também o erro, intuição e observações informais dos participantes a serem convidados a participar do projeto. Refletiremos também sobre a atuação do designer dentro do cenário contemporâneo, com o intuito de explorar a natureza transdisciplinar do design, entendendo as potencialidades da questão: O design pode se apresentar também como uma experimentação acerca da experiência, linguagem e narrativa?

Sobre design e patrimônio cultural: o Bumba meu boi em exposição na Casa do Maranhão
O Bumba meu boi é uma manifestação cultural marcante da cultura popular maranhense. No ano de 2011 recebeu o título de Patrimônio Cultural da Humanidade, obtendo ainda mais espaço para a sua apresentação e exposição. Nesta perspectiva, fortaleceu-se sua importância dentro do espaço da Casa do Maranhão - museu que tem por missão contar a história do Maranhão. Diante desses aspectos, esta pesquisa tem como objetivo apresentar, primeiramente a manifestação, seus rituais e mecanismos de resistência, depois uma descrição do acervo de exposição e por fim uma análise das falas dos agentes que mediam essa exposição com o público. A partir da descrição e análise do que envolve a exposição a dissertação propõe alguns questionamentos sobre os modos com que o saber-fazer do design pode contribuir para a construção da memória de um determinado bem cultural, como o Bumba meu boi. Aliando observação participante à análise do projeto expográfico, o trabalho se propõe também como um experimento na interface entre design e antropologia.

Taxonomia de objetivos educacionais para a universalização do Desenho no ensino básico brasileiro
O Desenho existe como disciplina da educação básica no Brasil desde o fim do Segundo Reinado e tem sua importância reconhecida por profissionais e pesquisadores da educação e de áreas correlatas. Apesar disso, os objetivos educacionais pertinentes a essa disciplina oscilaram com as correntes educacionais e os interesses políticos, culminando em momentos de ausência no currículo formal. O ensino do Desenho no Brasil perdura ainda apenas em seletas escolas, públicas ou particulares, para as quais o acesso e a permanência estão condicionados a rigorosos processos seletivos ou altos custos financeiros, fora do alcance da maior parte da população brasileira. Por sua experiência docente na disciplina, a autora deste trabalho identifica a relevância do ensino do Desenho para a formação do indivíduo, para a sua futura formação profissional e para a valorização social do conhecimento sobre a produção da cultura material. Tal conjectura se fortalece pelo aumento no número de iniciativas pedagógicas não-formais que se baseiam na transcrição, para a realidade, de modelos que existem apenas como ideias, por meio da representação da forma. Esses projetos tentam, indiretamente, suprir a lacuna deixada pela perda de representatividade do ensino de Desenho na educação formal. A dissertação apresenta uma revisão dos conteúdos, objetivos e competências da educação gráfica brasileira nos níveis Fundamental e Médio. Com base nessa revisão, se apresenta uma proposta curricular orientada pelas etapas de desenvolvimento previstas na Taxonomia de Bloom. Complementarmente, uma agenda de discussão sobre a universalização do Desenho na educação brasileira é sugerida. Pretende-se pautar o diálogo entre educadores e sociedade civil a respeito da formalização do desenvolvimento de habilidades e competências em expressão gráfica, a fim de torná-las acessíveis a todos os brasileiros.

O design na obra de Enrique Dussel
Neste trabalho, buscamos partilhar reflexões com aqueles que têm refletido o design baseado em cosmovisões e saberes múltiplos, desde a América Latina. Compartilhamos com eles questões como: é possível ‘reorientar’ o design para a superação das crises ecológicas e sociais? É possível projetar desde outros marcos interpretativos e experiências de mundo diversas? Esses questionamentos se somam a de pesquisadores e praticantes de design que têm refletido sobre as consequências das práticas da disciplina e buscado novos modelos de atuação para ela (DUNNE, RABBY, 2013; MALPASS, 2013), como o design para transição (IRWIN et al., 2015), design justice (COSTANZA-CHOCK, 2020), os enfoques ontológicos do design (WINOGRAD e FLORES, 1989; FRY, 2013; ESCOBAR, 2016), dentre outros. No contexto latino-americano, a busca por novos paradigmas de atuação da disciplina tem sido realizada (dentre outros) com o suporte dos estudos decoloniais, que propõem revisões da constituição histórica da modernidade no continente (QUINTERO et al., 2019), por meio da reflexão continuada sobre a realidade cultural e política latino-americana (ESCOBAR, 2005). As interfaces entre os estudos decoloniais e o campo do design têm crescido nos últimos anos, atraindo interesses de ambos os lados (AKAMA et al., 2019). O resultado disso é um conjunto heterogêneo de reflexões que apontam para deslocamentos e novas formulações sobre o campo. Buscamos, nesta dissertação, ampliar esta interface, por meio da sistematização e discussão do tema na obra de Enrique Dussel. O filósofo argentino-mexicano, que é uma peça-chave do denominado giro decolonial (decolonial turn), produziu, entre as décadas de 70 e 90, profícuas reflexões quanto à disciplina ‒ que abrange desde os seus fundamentos filosóficos e se estende às discussões quanto a uma política latino-americana para a disciplina. Apesar da riqueza de suas contribuições, elas permanecem relativamente desconhecidas do público em geral e, em particular, pelo nosso campo. Com isso, oferecemos um conjunto de elementos teóricos e conceituais que auxiliam os pesquisadores e interessados em design a localizá-lo no horizonte dos estudos decoloniais. De outro modo, esperamos traçar, um panorama geral das contribuições do pensamento crítico latino-americano que auxiliem o design a se configurar como instrumento crítico nos quadros disciplinares, científicos e sociais contemporâneos.