Processo seletivo

Theo Frazão Nery

Guerra cultural e visualidade: Uma análise da retórica das redes sociais na crise brasileira entre 2013 e 2018
Na última década, o Brasil viveu uma crise democrática, num contexto de ascensão da extrema-direita em todo o mundo. Esse processo se deu com o protagonismo da internet e das redes sociais, palcos de disputas ideológicas que influenciaram eleições e a história política de diversos países. O ativismo político online passa por uma guerra nos campos da visualidade e das retóricas visuais, onde se disputa a atenção dos usuários e se desafia o design das redes em busca de audiência e engajamento. Os protestos de rua de junho de 2013 são vistos por muitos como o estopim da crise democrática brasileira, num processo de retirada do governo petista de centro-esquerda, culminando numa ascensão da extrema-direita, com a eleição de Jair Bolsonaro em 2018. Esse é um recorte da história política do Brasil com influência direta da guerra de visualidade nas redes. A presente dissertação busca investigar dois fenômenos que demarcam esse período como forma de observar a transição de um sistema para o outro. Ao nos debruçarmos sobre a Mídia NINJA – coletivo de comunicação independente que surgiu no fervor dos protestos de Junho de 2013 – e sobre youtubers bolsonaristas, influenciadores digitais de extrema-direita importantes para a eleição de Jair Bolsonaro em 2018 – podemos observar a centralidade que os aspectos visuais da internet assumem numa disputa de narrativas que sai da web e ganha as ruas e as urnas. Foram realizadas análises de retórica visual, assim como análises de retórica da interação das principais redes sociais utilizadas por cada grupo. Além disso, foram realizadas contextualizações sobre a relação entre política e internet no Brasil e sobre a guerra de visualidade no contexto da internet.

Em Busca da Lona Perfeita: O Movimento Pendular Cultural de São Gonçalo
A pesquisa, de natureza autoetnográfica, investiga dinâmicas sociais, culturais e afetivas de São Gonçalo, município periférico da região metropolitana do Rio de Janeiro, a partir dos deslocamentos realizados pelos gonçalenses. O estudo incorpora narrativas da autora e evidencia o caráter político do pesquisador. O foco central é a análise do movimento pendular cultural, no qual moradores de São Gonçalo deslocam-se para o Rio de Janeiro em busca de lazer noturno, frequentando eventos de rua sob lonas coloridas, espaços efêmeros de festa e resistência. A partir disso, a pesquisa explora os afetos periféricos e propõe uma cartografia afetiva, construída por meio de oficinas participativas que mapeiam trajetos, pontos de encontro e espaços de lazer. Em andamento, a pesquisa pretende aprofundar a análise do uso das lonas como equipamentos urbanos e sua relação com a cultura periférica, além de explorar os circuitos culturais e as transformações urbanas promovidas por essas práticas. O estudo busca contribuir para a visibilidade e o reconhecimento das potências periféricas, propondo novas formas de pensar na/a cidade.

Festa, espaço e encontro: táticas de insistência em meio à turbulência de uma pandemia
Partindo da pergunta "O que acontece com a roda quando não pode fazer roda?", o estudo é uma investigação sobre adaptações realizadas por coletivos no sentido de garantir que festas e festejos populares se mantivessem ativos durante e após a pandemia de Covid-19. Percebeu-se nestas adaptações – as quais ultrapassam o contexto pandêmico – foco especial no engajamento dos sujeitos em garantir a sobrevivência das pessoas a partir de redes de apoio, em criar espaços de encontro e em manter a continuidade da tradição para as novas gerações. Através dessa análise, a pesquisa faz uma leitura de um design-verbo que atravessa a vida cotidiana e o território, em um processo de elaboração contínua do presente, em alternativa à concepção do termo atrelado ao projeto e ao planejamento de uma condição futura. Sugeriu-se, assim, que indivíduos e coletivos desenham continuamente formas de insistir e de garantir a viabilidade da vida em contextos de precariedade e emergência e que festas e festejos participam do desenho da cidade, material ou imaterialmente.

Até onde vai o design de serviços em governo? Uma análise de projetos de laboratórios de inovação no setor público
No contexto do crescente interesse da administração pública em abordagens do design como ferramenta estratégica para a solução de problemas complexos, este trabalho investiga e delineia elementos cruciais relativos ao emprego do design na geração de ações governamentais. A análise concentra-se em experiências conduzidas em dois laboratórios de inovação, de âmbito municipal e federal, explorando suas contribuições por meio de uma metodologia de pesquisa de campo que engloba entrevistas, análise de relatórios institucionais e revisão de literatura acadêmica sobre as entidades em questão. Os achados do estudo destacam práticas essenciais no desenvolvimento, implementação e no aprimoramento de políticas públicas, assim como enfatizam a importância da tangibilização de informações, fomento à colaboração, adoção de uma postura experimental e questionamento do status quo em projetos de design de serviços. Essas descobertas confirmam a relevância fundamental de tais aspectos para a inovação no design de serviços no setor público.

Lixar, cavar e narrar: um mundo possível no Memorial J. Borges
J. Borges – xilógrafo e cordelista pernambucano – criou, ao longo de 5 décadas de carreira, um vasto universo de imagens e narrativas. Suas obras se espalham pelo Brasil e pelo mundo e reafirmam a importância dos cordéis e xilogravuras para a cultura popular brasileira. Estas duas formas de expressão são consideradas os principais registros das crenças e valores sertanejos brasileiros dos últimos séculos (FERREIRA e outros, 2006). Portanto, J. Borges é um grande aliado para refletir sobre o nosso país e nossos costumes. Depois de trabalhar como vendedor de cordel, J. Borges começou a escrever e ilustrar os próprios folhetos na década de 1960. E, a partir da década seguinte, observou-se que as xilogravuras, antes restritas às capas de cordel, passaram a ser produzidas em dimensões maiores. Dessa maneira, as imagens ganharam cores e riqueza de detalhes. Sem abandonar os temas sobre a vida rural do sertão e o imaginário popular brasileiro, J. Borges foi um dos artistas que participou desta transição. Hoje, ele é uma das maiores referências na xilogravura popular brasileira, propagando seu estilo e compartilhando o seu processo de produção com as novas gerações. Dessa forma, abordar a técnica e conhecimentos do artista é uma maneira de contribuir para a pluralização da história do design brasileiro. Durante uma semana, em outubro de 2021, acompanhei a produção das xilogravuras de J. Borges in loco, no Memorial J. Borges, localizado na cidade de Bezerros, Pernambuco. A pesquisa de campo revelou a manutenção do processo artesanal na produção das gravuras do artista. E constatou-se o uso de uma série de soluções inventivas, incluindo objetos adaptados, criados e ressignificados, além da marcante participação da equipe que, junto com o artista, produz xilogravuras e mantém o Memorial vivo. Portanto, essa dissertação traz uma narrativa sobre um mundo observado e vivenciado no Memorial J. Borges; um espaço que produz imagens, sons, cheiros e relações; e que afeta, ao mesmo tempo que é afetado pelo trabalho do artista. O Memorial é a atual oficina, loja, galeria e moradia do artista que, aos 86 anos de idade,continua produzindo xilogravuras que nos contam sobre o Brasil, e compartilhando suas memórias, casos e histórias. Finalmente, compreendemos que o processo de produção de J.Borges é uma forma possível de produção e reprodução de imagens, narrativas e significados. Este processo resulta em uma obra que insiste em falar do Brasil através de uma estética e linguagem que refletem um aspecto significativo da nossa realidade e caracterizam um segmento importante da nossa cultura. E por isso os aprendizados sobre o artista se mostraram relevantes para o design brasileiro, como referência histórica e estética e como inspiração para olharmos para dentro do país.

Ana Melo Quintslr

O homem tropical do futuro: uma leitura através de “Experiência nº 3”
Flávio de Carvalho – artista visual e arquiteto brasileiro — ao longo de toda sua trajetória compôs obras complexas que refletem sobre os modos de viver de seus conterrâneos. Atravessou toda a fase modernista do país e propôs composições criativas que escapam aos padrões dos movimentos artísticos e arquitetônicos contemporâneos de sua época. Para muitos, no Brasil, assume o lugar de diversos pioneirismos em áreas distintas do conhecimento, como arquitetura e teatro modernos, e performance artística.O presente trabalho objetiva interpretar a obra de sua autoria intitulada “Experiência nº 3” (1956), e através de seus significados, tecer análises sobre a sociedade brasileira do período histórico em que foi criada e o atual. A obra em questão é constituída da confecção de um traje e de um desfile de apresentação deste, então, para o aprofundamento de sua leitura, se escolheu interpretar outras obras e desfiles que flertam com a produção e representação de peças de roupas. Há no conteúdo reunido, relatórios de visitas a exposições e desfiles de moda, diálogos com profissionais de moda e esquemas produzidos para acompanhar as conclusões tiradas a partir dos cruzamentos de informações colhidas no decorrer do trabalho.

Heitor de Lima Alvarenga

Alberto Dias Gadanha Junior

Ana Letícia Marques Barcellos

Camila Paixão

Eduardo Derbli de Carvalho Baptista

Luisa Serran Veloso de Castro

Maria Clara Rollemberg Lima de Oliveira

Maria Eduarda Pavão Peixoto

Paloma dos Reis Araujo

Design de Serviços como Ferramenta para Diagnóstico e Redesenho de Serviços Públicos
Esta pesquisa tem como objetivo avaliar a utilização de métodos e técnicas de Design de Serviços como ferramenta de avaliação da qualidade dos serviços públicos, no contexto do alinhamento da oferta de serviços com a política pública à qual está vinculada, fornecendo subsídios para seu redesenho.

Simbiose: uma proposta de jogo de tabuleiro para auxiliar no aprendizado e na socialização entre estudantes autistas e neurotípicos do ensino fundamental
Esta pesquisa de mestrado tem como objetivo a elaboração de uma metodologia que permita a criação de práticas pedagógicas lúdicas capazes de dar apoio ao aprendizado acerca de temáticas socioambientais e à socialização entre estudantes autistas e neurotípicos do Ensino Fundamental I, tal qual os artefatos escolhidos para corroborar a defesa dessas práticas, isto é, um jogo de tabuleiro educativo interdisciplinar com elementos inspirados no Candomblé e nas tradições dos povos originários. A pesquisa inicial desta tese bordou uma revisão sistemática da literatura sobre gamificação e métodos para desenvolver design de jogos educativos. Em seguida, foi realizada uma análise dos modelos de criação existentes, assim como o impacto que o uso de jogos como apoio de material didático pode exercer sobre o engajamento dos alunos durante as aulas. Além disso, foram feitas pesquisas para definir o conteúdo do jogo, desde em relação às diretrizes educacionais atuais para Ciências da Natureza no Ensino Fundamental, até informações a respeito do Candomblé, tradições dos povos originários brasileiros e de autismo na infância. Dessa forma, foi possível sugerir melhorias e propor um novo modelo de design de jogos educativos, considerando o objetivo desta tese de mestrado. A fim de comprovar a aplicabilidade dos artistas em questão como ferramenta auxiliar no ensino de conhecimentos sobre a esfera socioambiental, os testes foram realizados com alunos autistas e neurotípicos do 5º ano de uma escola pública no município do Rio de Janeiro-RJ. Segundo os critérios de avaliação estabelecidos durante a pesquisa de mestrado, a interpretação dos resultados permitiu a conclusão de que o jogo de tabuleiro foi bem recebido pelos estudantes e é capaz de contribuir positivamente tanto para o processo de socialização entre os alunos, quanto para o ensino leve e divertido sobre temáticas socioambientais.

Ana Luiza Gomes

Experiências de uma andarilha: Imersões e colaborações em meio às práticas de design anthropology

Theo Frazão Nery

Exposições e museus inclusivos: para quê e para quem?
Uma exposição acessível deve estar ciente das diversas deficiências, que são muito variadas, e cada uma com a sua especificidade. É necessário que o ambiente possua alguns recursos de tecnologia assistiva, para que pessoas com deficiência (PcD) possam ter a mesma possibilidade de acesso dos demais visitantes. Tecnologia assistiva (TA) é uma expressão que abrange todos os recursos e serviços destinados a melhorar as habilidades funcionais do PcD, promovendo uma vida independente e a inclusão social. Alguns exemplos são audiodescrição, interpretação em Libras, textos em braille e linguagem simplificada. É urgente superar as barreiras físicas, sensoriais, cognitivas, comunicacionais e atitudinais que impedem o pleno acesso das pessoas às exposições culturais, científicas e educativas. Com essa pesquisa, pretendo contribuir para a difusão de aprendizados e boas práticas para a acessibilidade na expografia. A pesquisa tem o objetivo de investigar se e como projetos expográficos incorporaram a acessibilidade ao longo dos últimos 10 anos, a partir de um diagnóstico de projetos expográficos executados em diferentes museus do estado do Rio de Janeiro. As análises serão realizadas a partir de pesquisas sobre acessibilidade e design universal.
